Agora sem mãos. O futuro em que automóveis nos conduzem já arrancou

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Agora sem mãos. O futuro em que automóveis nos conduzem já arrancou

Mensagem  Cristina Nogueira em Qui 7 Jan 2016 - 10:58



Carros que se auto-estacionam em garagens, “falam” entre si na estrada, e até dispensam o volante não são argumento construído para a Guerra das Estrelas. Estão no CES 2016.

Autonomia, conectividade, telemática. Estas são algumas das palavras que ficarão como marca de 2016 na indústria automóvel, e que se dispersam por vários modelos com que nos cruzaremos no curto prazo nas estradas. Alguns podem ser já antecipados no salão tecnológico de Las Vegas, Consumer Electronics Show (CES 2016).

A inovação nos automóveis irá para lá da já de si futurística perspectiva de automóveis autónomos, passando para os “veículos cognitivos”, segundo antecipou a vice-presidente da IBM para as áreas automóvel, aeroespacial e da defesa. Donna Satterfield assegura que os veículos “vão pensar por si” e que “num futuro não muito distante, não será aceitável que o automóvel não conheça o condutor, conheça o contexto em que está, o que se passa no ambiente e ajude a tomar decisões informadas sobre a sua condução”.

No CES 2016, aberto desde esta quarta-feira, ao contrário da expressão que os norte-americanos popularizaram como sinal de sigilo, o que se passa em Vegas não fica em Vegas.

Entre tecnológicas e construtores automóveis, a Microsoft revela o que tem andado a desenvolver. Num estilo “Knight Rider” (série que por cá se designou de “O Justiceiro”), a tecnológica norte-americana conjuga a pulseira electrónica “Band 2” com uma aplicação que a Volvo conectará aos seus automóveis a partir da Primavera. Falando para o pulso, o condutor ordena a ligação do aquecimento do carro, o arranque do motor, a ligação dos faróis, ou o toque da buzina, entre outros tipos possíveis de comandos de voz. “Juntamente com a Volvo, estamos apenas a começar a perceber o potencial que a tecnologia tem para melhorar a segurança e produtividade do condutor”, diz Peggy Johnson, vice-presidente da Microsoft. A cooperação entre ambas as companhias teve em Novembro um desenvolvimento, com a tecnologia que permite ao personalizar um modelo da Volvo e vê-lo num holograma.

Os comandos remotos e a Microsoft cruzam-se também na Nissan, cujo eléctrico Leaf permitirá ao condutor enviar ordens através de um ‘smartphone’, gerindo os períodos de carga e o aquecimento, por exemplo, sem necessitar de estar junto ao automóvel.

Outro dos parceiros da tecnológica norte-americana no CES 2016 é a Harman, detentora das marcas de hi-fi  Harman Kardon, Infinity e JBL. Com acesso a serviços do Office 365, os clientes da Harman poderão, enquanto conduzem e, teoricamente, sem se distraírem, marcar reuniões, ouvir e responder a emails, participar em ‘conference calls’ dispensando introdução de números de telefone e códigos de acesso.

A forte presença da mobilidade rodoviária na CES é mesmo um dos maiores focos de atenção da edição de 2016. Um estudo revelado na feira de tecnologia indica, após análise das patentes já apresentadas no campo da condução autónoma, que são os construtores automóveis e não tanto as companhias tecnológicas que lideram o caminho da condução autónoma.

À cabeça, a Toyota, com 1.400 patentes para condução autónoma, seguida da Bosch, Denso, do grupo Hyundai-Kia e da General Motors. Um porta-voz do maior construtor automóvel do mundo diz que este vê um carro que se conduz sozinho como um objectivo de longo prazo, dependentes de sistemas de condução que nunca cometam erros.

Até lá, a Toyota vai-se preparando e desenvolvendo sistemas de prevenção de acidentes, como a travagem automática, planeando investir 1.000 milhões de dólares até 2020 no estudo de inteligência artificial na Universidade de Stanford e no MIT. Os japoneses foram ao pentágono e de lá levaram Gill Pratt, um investigador, para coordenar o seu programa de robótica.

O dobro do investimento em tecnologia está nos planos dos coreanos Hyundai/Kia para os próximos três anos, com a companhia a prever a venda de carros totalmente autónomos em 2030. Uma década antes já veremos nos seus carros sistemas sofisticados de piloto automático.

A revolução da autonomia, a busca por motores sem combustíveis fósseis, a ligação dos carros à internet e aos outros que consigo partilham a estrada são os desafios que, em simultâneo, se vive nesta indústria.

Uma das marcas “da casa” neste CES, a norte-americana Ford mostra o Fusion (“gémeo” do europeu Focus) com condução autónoma, modelo que terá 30 unidades nas ruas da Califórnia, Arizona e Michigan. No salão tecnológico, a marca revelou uma nova geração de sensores que visam acelerar a entrada em acção desta tecnologia, que a Ford garante já ter em testes há mais de uma década. Os sensores Velodyne LiDAR emitem luz laser em milhões de impulsos por segundo, para rastrear o que rodeia o automóveis, permitindo ao computador criar imagens reais tridimensionais e em alta definição. A nova geração é mais leve e pequena, logo, mais fácil de arrumar no veículo.

Com a ajuda da Amazon, a Ford está ainda a desenvolver um ‘software’ de reconhecimento de voz, para que possamos destrancar as portas, ligar a ignição, verificar o nível de combustível, e outras tarefas falando com o carro. A interacção permitida estende-se à “internet das coisas”, e enquanto se conduz pode-se, por exemplo, “mandá-lo” ligar o aquecimento em casa ou desligar o alarme.

Não por voz, mas por gestos, a comunicação com o automóvel é também estrela no stand da BMW. Com o AirTouch, aplicado na nova geração do Série 7, os alemães estendem as capacidades do sistema de controlo por gestos, permitindo ao condutor e ao passageiro controlar vários dos dispositivos do topo de gama de Munique sem terem de tocar no ecrã. Imagine operar os sistemas de navegação e entertenimento, o telefone ou outros dispositivos bastando para tal mover a mão no espaço entre a consola central e o espelho retrovisor. O AirTouch adiciona botões de confirmação no interior do volante (onde habitualmente repousa o polegar esquerdo) e no apoio de braço da porta do passageiro.

Outra forma inovadora de dar ordens aos sistemas dos automóveis é a revelada pela alemã Bosch, que mostra um novo tipo de ecrã por toque (‘touchscreen’), no qual existem várias texturas de superfície. “Este ‘feedback’ torna mais fácil operar as aplicações de info-entretenimento como a navegação, rádio e funções de ‘smartphone’”, indica a fabricante de componentes no comunicado em que explica como o seu ‘touchscreen’ parece que tem mesmo botões.

Mais disruptivo é o sistema que a companhia de Robert Bosch pretende lançar em breve: um arrumador automático do carro na garagem. Em 2018, em Estugarda, numa garagem especial, o condutor poderá deixar o carro à entrada e este irá à procura de um espaço para se encaixar. Depois, bastará chamá-lo de volta à entrada da garagem e este virá pelos seus próprios meios, diz a Bosch, que fornecerá os sensores que anunciarão ao automóvel a presença de um lugar disponível.

O CEO da Bosch, Volkmar Denner, na conferência de imprensa em Las Vegas, anunciou ainda que a companhia está a trabalhar com a criadora de mapeamento de estradas TomTom para desenvolver um mapa dinâmico que integrará dados obtidos em tempo real a partir de outros carros equipados com sistemas de GPS. “O trânsito está congestionado”, ou “há gelo na estrada”, são duas das informações úteis possíveis. Útil poderá ser também ter o ‘smartphone’ a avisar-nos que vem outro veículo em sentido contrário na nossa rota, ou que a alertar-nos que nós próprios entrámos em contramão.

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Re: Agora sem mãos. O futuro em que automóveis nos conduzem já arrancou

Mensagem  zeca em Qui 7 Jan 2016 - 11:00

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